Sempre ouvi dizer que a vida ensina e que o tempo cura tudo. Mas hoje preciso te contar que certas coisas a vida ainda não fez o favor de me ensinar e que o tempo se atrasou e ainda não veio me libertar de uns desejos. (…) O tempo nem sempre cura tudo. Tenho feridas que já cicatrizaram, mas que insistem em latejar quando o dia está nublado. Tenho mágoas que já foram superadas, mas se lembro bem, se lembro forte, se penso nelas eu choro. E o choro dói, dói, dói como se fosse ontem.
E hoje foi um desses dias, juro que não queria abrir essa ferida, mas você insistiu para que ela voltasse. Hoje poderia ser apenas um dia "normal" como os outros, em que eu chego da faculdade e o seu "oi" é gritar dizendo que fez a janta e a marmita está pronta na geladeira.
Confesso que quando você voltou não fiquei empolgada, meu medo foi das coisas voltarem a ser como antes.. Sabe, oito anos é muito tempo, porém somos formados por lembranças e as que guardei de você naquela época não foram as melhores. No dia em que você foi embora de casa agradeci tanto a Deus, pensei - "agora tudo será normal, não terei mais medo de dormir, não terei mais medo de andar sozinha, não terei mais medo de ficar em casa, não verei mais mãe chorando, serei uma menina leve e feliz", porém foi totalmente o oposto. Passei boa parte da minha infância com medo de andar sozinha, a sua voz me perturbava todas as noites, não conseguia pensar em ficar longe da minha mãe, tive dificuldades de me relacionar com as pessoas e até mesmo de falar de tão tímida que me tornei, me reprimia de certos desejos de crianças e preferia não me arriscar.








